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quinta-feira, 30 de abril de 2026

THE CABRA

 Among the many remarkable friends I’ve made over the years, one stands head and shoulders above the rest. I first met him on the rocky shores of Castanheiras Beach, in Guarapari. There he was, fishing with a sharpened bamboo stick, like some sort of native hunter, which promptly earned him the nickname “Sniper of Espírito Santo” from a group of mates who took great pleasure in winding him up — a nickname he absolutely loathed. His family, who always held him in the highest regard, called him Etevaldo (after that chap from Castelo Rá-Tim-Bum).

The maddest part? The bloke was actually rather good at it. On dozens of occasions, we feasted on freshly grilled fish over hot coals, washing it down with beers bought from the “Sonho Lindo” kiosk, run by Mr Manoel and Mrs Laura, right there on the very same beach where he fished.

Etevaldo was relentless — flat broke, not a penny to his name — yet somehow, against all odds, he made his way abroad, studied (heaven knows how), graduated, and went on to become a successful international businessman. Needless to say, by his side at all times was a truly remarkable woman — brave, optimistic, and utterly steadfast — his wife, known affectionately among close friends as Mrs Ounce.

Years later, we bumped into each other again and picked up right where we’d left off. One day, Etevaldo invited me to join him for a round of golf with an American billionaire who was keen on investing in his company. I had to exercise serious restraint not to call him “Sniper” to his face.

We politely offered the American the first shot. I took the second — deliberately underwhelming, mind you — and then Etevaldo, ever focused, stepped up for the third. He wound up his swing, turning his body a good three times before letting it rip.

What he hadn’t noticed was the American briskly crossing right in front of him at that exact moment.

The ball struck the poor chap square in the midsection with alarming precision, while the club itself caught him rather unfortunately lower down. The effect was immediate. His cheeks puffed out crimson red, his eyes bulged in disbelief, and he staggered about like a rodeo rider barely holding on, before collapsing onto the grass, clutching himself in utter despair.

As the course sloped downward, he began rolling — quite rapidly, in fact — shedding along the way his glasses, cap, phone and anything else not firmly attached. Despite the valiant but futile efforts of the staff to catch him, he gathered speed and ultimately came to an undignified halt among a cluster of trees at the far end of the course.

I turned to Etevaldo and said, “You’d better pray that the ‘sniper’ part of your dreadful nickname works in your favour and the chap remembers nothing of this — otherwise, you can kiss that investment goodbye. Now let’s make ourselves scarce before the police and an air ambulance turn up.”

Etevaldo thought long and hard — far too long, in fact — and some 32 minutes later, he was at the airport, bags in hand, heading off to an undisclosed location somewhere in Southeast Africa… or so I believe.

Despite reportedly appearing on wanted lists across several major police forces worldwide, he’s yet to be found. Last I heard, he’s living in a crouched stance somewhere, disguised like a native hunter, bamboo spear in hand, adorned with war paint and accompanied, as always, by his loyal companion.

Near his new home, Etevaldo has opened a small golf school, proudly bearing the slogan: “One swing can change your life.”

And life, as they say, goes on.

These days, he’s doing rather well for himself exporting yams. Over there, they call him: “Etevaldo, The Cabra.”

— Written by Helio Faria Junior

segunda-feira, 27 de abril de 2026

UMA TRAGÉDIA NO CAMPO DE GOLFE

 Dentre os fantásticos amigos que fiz ao longo da vida um se destaca muito e o conheci nas pedras da praia das Castanheiras em Guarapari. Ele pescava usando um bambu de ponta afiada, como se fosse um índio e pusemos nele o apelido de SNIPER DO ESPÍRITO SANTO.  pelos amigos que adoravam zoar, ele detestava o apelido. A família que sempre o amou muito o chamava de ETEVALDO (aquele do castelo RÁ-TIM-BUM).


O pior de tudo é que o maluco tinha sucesso e dezenas de vezes comemos peixe assado na brasa, comprando cerveja no Quiosque SONHO LINDO do Sr. Manoel e Dona Laura, na mesma praia que ele pescava.

ETEVALDO era obstinado, quebrado, sem grana para nada e mesmo assim foi para o exterior, estudou sabe DEUS como, se formou e virou um empresário internacional de sucesso. É desnecessário dizer que ao seu lado, o apoiando para tudo, uma fantástica, brava e otimista esposa, Dona Ounce para os mais próximos.

Um belo dia, após muitos anos, nos encontramos e retomamos a velha e boa amizade, ETEVALDO me convidou para ir jogar golfe com um bilionário americano que queria investir em sua empresa, e eu tinha que me conter para não chamá-lo de SNIPER.

Gentilmente oferecemos ao americano a primeira tacada, eu dei a segunda tacada, bem mixuruca de propósito e ETEVALDO, focado como sempre, foi dar a terceira. Armou o taco dando umas três voltas no corpo e soltou o braço.

Não reparou que o americano passava correndo a passos largos em sua frente. A bolinha pegou no umbigo do gringo se alojando a um centímetro da coluna e a ponta do taco, aquela parte mais gordinha, pegou na parte inferior do aparelho reprodutor do futuro ex homem do Arizona. Ligou o nome à pessoa?

O desafortunado inflou suas avermelhadas bochechas, pudemos perceber duas bolas nos cantos internos de cada olho esbugalhado que subiram dos países baixos com a tacada certeira e o coitado ficou igual peão de rodeio, oito segundos assim e caiu no gramado, segurando seu cofrinho com as duas mãos.

Como o campo era em declive, ele saiu rolando enquanto pulavam de seu corpo os óculos, boné, ponte móvel, celular e tudo mais. Apesar dos esforços frustrados da equipe de apoio em alcançá-lo, rolou rápido e se esborrachou nas árvores do arvoredo do fim do campo.

Olhei para o ETEVALDO e disse: " Reze para que o complemento de seu apelido detestado faça com que o gringo não se lembre do que aconteceu, senão adeus investimento . Vamos embora antes que a polícia e a UTI NO AR cheguem aqui".

ETEVALDO pensou muito, hesitou demais e 32 minutos depois estava no aeroporto, de mala e cuia indo para local incerto e não sabido no sudeste da África, eu acho.

Apesar de constar das listas de procurados de todas as principais policias do mundo, até agora não foi encontrado.  Só sei que vive acocorado, disfarçado de índio, com um bambu de ponta afiada na mão, com pinturas de guerra e uma onça a seu lado (como sempre). 

Etevaldo abriu próximo a seu novo domicílio uma escolinha de golfe cujo slogan é: "UMA TACADA PODE MUDAR A SUA VIDA" e vida que segue.

Hoje é muito bem sucedido plantando e exportando inhame. Lá o chamam de ETEVALDO, THE CABRA...!!!

Escrito por Helio Faria Junior 

domingo, 12 de março de 2017

ENFIM, ESTÃO ENROLANDO VOCÊ

Eu tenho várias teorias sobre os mais diversos assuntos. Coisas que a gente observa nas pessoas e em seus cotidianos. Por escutar muita gente falar, principalmente sobre assuntos que eu dominava, é que cheguei à brilhante conclusão que quando as pessoas falam a palavra "ENFIM", estão enrolando você.

ENFIM, significa uma grande e longa virgula, em que pessoas, especialmente as que só gostam de falar coisas do tipo "politicamente corretas" falam para ganhar tempo e poder pensar no que vai continuar falando. Em uma conversação, uma pausa de um segundo equivale a cinco minutos pensando para não falar bobagem. Pessoas que comem esterco e arrotam faisão também usam esta técnica. Vou tentar exemplificar para ver se me faço entender.

Você conhece um cidadão nascido e criado no Rio, que foi uma vez ao sul da Bahia, uma vez a Brasília, esteve também em Foz do Iguaçu e deu a volta naquele monumento de tríplice fronteiras. 

Quando ele está conversando com alguém que está falando em viagens para a Europa ou América do Norte, na primeira oportunidade ele dispara: Eu optei primeiro por conhecer meu país, o cerrado, o nordeste, sul e sudeste, ENFIM, nosso Brasil. Estive também em países da America Latina, Argentina, Paraguai, ENFIM, viajei primeiro em nosso continente...Percebeu, ele não mentiu, mas, enfim, floreou...

Nosso personagem mora no Morro do Alemão e é office boy em um escritório no Centro. Duas vezes ele foi levar seu chefe em restaurantes do Leblon e na sequência da conversa anterior, o assunto passa a ser restaurante/moradia e novamente nosso herói entra em ação: -"Restaurantes da Zona Sul, conheço vários. Já estive no Alvaro's, no Degrau (Os restaurantes em que ele deixou o chefe para almoçar duas vezes e depois voltou para buscá-lo), ENFIM, conheço quase tudo, mas em termos de residência, por uma questão de saúde, optei por morar nas montanhas (lembram que ele mora no Morro do Alemão?)...

Vocês já perceberam artistas que quase não tem expressão nenhuma, quando tem oportunidade de participar de um programa de entrevistas na televisão usam e abusam do ENFIM, falando de seus "trabalhos" dos últimos dez anos. Juntando tudo que falou nos trabalhos onde foi figurante sentado ao fundo das cenas, não dá uma frase de dez palavras.

Não estou sendo cruel, apenas sou um observador da utilização dessa técnica. Enfim, quando alguém começar a falar esta palavra para você, abra o olho, estão enrolando você...

Escrito por Helio Faria Junior

sexta-feira, 10 de junho de 2016

UM BANQUINHO NO BOX


É engraçado como muita gente tenta rotular você de velho quando a idade vai chegando.  Temos que lutar contra nossas novas limitações que aparecem a cada dia e contra essas pessoas que parecem acreditar que nunca ficarão com mais idade.

Dias atrás relutei com a possibilidade de colocar dentro de meu box um banquinho de plástico para auxiliar no banho, por pensar que era coisa de velho, mas acho que todo mundo deveria experimentar para ver como é bom.

A primeira coisa em que o banquinho ajuda muito é o fato que você poder sentar, fechar os olhos, virar a cabeça para cima e deixar a água morna cair em sua testa e escorrer pelo seu corpo, nem que seja só por alguns segundos. Sentiu??? É bom demais.

Depois, para lavar pernas e pés é ideal. Você fica em pé, põe um pé de cada vez no banco e ensaboa, esfrega e enxágua sem ter que se curvar muito. E não venha me dizer que dor nas costas ou lombar é coisa de velho por que não é não. Até atleta sarado tem.

Para as pessoas que gostam de tomar banho a dois, aí que é melhor ainda. Fora os assuntos não inerentes especificamente ao banho, já pensou em você sentado em um banquinho, seu amor em outro banquinho bem à sua frente e você esfregando as costas dela??? Deu asas à sua imaginação, não foi???

Para mulheres é ideal e sem contra indicação, mas para os homens, principalmente os de mais idade, há uma contra indicação. Quando você está pelado e faz o movimento de se sentar, a tendência é que a parte de seu corpo que abriga os coquinhos vá para trás, e sentar sobre os dito cujos  é uma dor quase impossível de descrever em palavras.

As mulheres riem dessa situação mas não têm ideia da dor que isso causa. A sensação que nós homens sentimos é que ficamos com gânglios no pescoço, saca??? Dói lá de baixo até em cima e parece que cada uma de nossas bolas parou em baixo de cada uma de nossas orelhas.

Bem, esta é a única contra indicação merecedora de muita atenção. No mais o banquinho no box é ótimo porque até se você cair quando estiver sentado nele, vai cair de uma altura menor do que se estivesse em pé e com certeza o estrago será menos. Fica a dica!!!


Escrito por Helio Faria Junior

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

REPOLHO REFOGADO COM OVO



Neste início de ano, minha mãe, já com certa idade levou um tombo no banheiro e cortou o rosto onde levou vários pontos. Resolvi então ir ao Rio de Janeiro vê-la, já sabendo que mesmo machucada, ela ia preparar uma comida que eu adoro que é língua de boi, pûre de batatas e repolho refogado com ovo. Tipo bife à cavalo, só que no caso seria repolho à cavalo.

Cheguei bem tarde da noite e no dia seguinte no almoço tinha minha comida predileta, é claro. O único problema desta comida é que após ingeri-la, passo por longo período de constantes e repetidas flatulências que são absolutamente necessárias para que meu organismo não estoque gases.

Antes do almoço, bebi três cervejas, acho que para dar uma incrementada no que estava por vir, almocei fartamente e sem me lembrar que certamente eu teria um largo período de fluidificação, resolvi ir ao centro da cidade de metrô.

Andei dois quarteirões até chegar na rua Voluntários da Pátria, parei ao lado de um poste, aguardando o fluxo de veículos melhorar para atravessar a rua.

De repente, senti uma rebelde flatulência no interior de minhas tripas, pressionando de dentro para fora o último portal de meu aparelho digestivo que ameaçou se abrir diversas vezes para liberar a meliante. Olhei para os lados e percebi que era horário de saída de escola pois havia uma montanha de crianças em meu derredor. Encostei meu ombro e a parte lateral de minha cabeça no poste e comecei a suar frio, na certeza de que aquela guerra estava perdida.

Antes de escorrer o terceiro litro de suor, o trânsito parou, as crianças atravessaram a rua e estando sozinho resolvi alforriar aquela contida flatulência para que ela ganhasse o mundo.

Não percebi que do outro lado do poste havia chegado uma senhora já bem idosa, cheia de sacos, saquinhos e sacolas nas mãos e um afrodescendente de pouco mais de dois metros de altura. Quando pensei que iria receber uma bela surra, ouvi a velhinha esbravejar, olhando para nosso companheiro de história:

- Deste tamanhão e fazendo essas coisas no meio da rua, safado, porco...

O rapaz atravessou a rua na frente, a senhora foi pertinho dele xingando suas gerações passadas e futuras e atrás, fui eu, aliviando definitivamente as pressões carbônicas de meu interior.

Pegamos o ônibus que nos levaria ao metrô, me sentei no primeiro banco, ao meu lado, desafortunadamente, sentou o grandão e atrás de nós, a senhora.

Vocês sabem que nestes acontecimentos, sempre sobra um resquício gasoso e a senhora foi xingando, batendo com o guarda-chuva na cabeça do grandão e gritando:

-Fez la fora e agora veio fazer aqui dentro, seu porcalhão imundo....

Desci do ônibus cabisbaixo e com a consciência pesada porque afinal, o cara estava apanhando por minha causa. Desci na estação do metrô contendo nova revolta no trampo final do aparelho digestivo, mas segurei bravamente e quando ia entrando no trem levantei a cabeça e vi lá dentro a velhinha e o grandão que me olhou com ódio no fundo de meus olhos e disse:

- Pelo meu bem e pelo seu, é melhor você pegar outro trem...

E o trem do metrô deslisou suavemente rumo ao centro da cidade, deixando a mim, solitário na plataforma, fazendo o que era necessário fazer...

Escrito por Helio Faria Junior

terça-feira, 14 de abril de 2015

UTILIDADE ESPECÍFICA DO CHATO



Luiz Alfredo é um cara muito chato, muito cri cri mesmo, que  implica com tudo e leva tudo ao pé da letra.

Ele foi a um desses órgãos onde as pessoas se inscrevem para conseguir emprego, aguardou pacientemente com sua senha na mão e quando foi chamado no guichê 31 se dirigiu até lá e ficou em pé, atrás da cadeira.

- O senhor pode se sentar, disse o atendente;

- O SENHOR pode tudo, respondeu o irritante Luiz Alfredo.

- Nome, por favor, perguntou o atendente.

- Luiz Alfredo

- Eu preciso de seu nome completo...

- Então porque não perguntou meu nome completo? Meu nome completo é Luiz Alfredo Pires e Souza.

O atendente foi se irritando a cada pergunta. No fim perguntou:

- Qual é o seu celular?

E Luiz Alfredo respondeu:

- SAMSUNG

- Cidadão, eu quero saber o Nº de seu celular.

Luiz Alfredo respondeu:

- Mas não foi isso que você perguntou. O Nº do meu celular é ZAP 7856744331HT34123ZX

- EU NÃO QUERO SABER O Nº DE SÉRIE DO SEU APARELHO CRIATURA DE DEUS, EU QUERO SABER O Nº DA LINHA DE SEU TELEFONE CELULAR, berrou o atendente.

- Porque não perguntou então¿ Respondeu Luiz Alfredo.

Bem,  passado um ano, verificaram que Luiz Alfredo foi chamado 48 vezes, todas para trabalhar como acompanhante de sogras de clientes e todos os empregos duraram exatos quatro dias. 

Foram então verificar o que havia sido escrito como aptidão em sua ficha de inscrição e encontraram o seguinte:


APTO PARA: MATAR OS OUTROS DE RAIVA!!!

Escrito por Helio Faria Junior

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

UM REVEILLON INESQUECÍVEL



Resolvemos, eu e Tica, minha esposa, passar este réveillon na chácara do nosso amigo Antônio que fica perto da nossa e é muito agradável. A casa fica no alto, cercada de grama por todos os lados.

Como chegamos tarde, não havia mais lugar para estacionar o carro perto da casa e tivemos que parar em baixo, onde começa o gramado. Eu e Tica estávamos de branco integral. Tudo em nós era branco.

Chovia naquele momento e eu tinha que levar um bolo grande e Tica uma bandeja com taças de cristal para o brinde da meia-noite. Na bandeja havia quatro dúzias de taças. Comecei a correr gramado acima na direção de Antônio que me aguardava na parte mais alta.

Foi aí que a encrenca começou. Eu escorreguei e a bandeja com o bolo caiu intacta no chão. Como vocês sabem da minha astúcia e elasticidade, rápido como um gato, caí de quatro sobre o bolo sem tocá-lo, sem sujar a roupa e ouvindo apenas os gritos agudos de desespero de Tica que vinha logo atrás com as mãos ocupadas na bandeja de taças sem poder fazer nada.

Antônio, com seu espírito humanitário correu então em minha direção e também escorregou, gramado abaixo. E também ágil como um gato, se virou e caiu de barriga para baixo e veio deslizando de perna aberta em minha direção.

Ocorre que esse meu amigo tem quase dois metros de altura e pesa aproximadamente cento e cinquenta e nove quilos e meio. Quando ouvi o barulho daquele corpo se esborrachando sobre a grama, levantei a cabeça e vi aquela orca assassina deslizando velozmente em minha direção de pernas abertas.

Só tive tempo de fechar os olhos, baixar a cabeça e prender a respiração ante de ser atropelado como uma massa de pastel. Na sequência imediata, ouvi o berro da Tica sendo jogada para o alto e o barulho de Antônio batendo em meu carro, ficando com as pernas presas embaixo dele.

O SAMU, após desengatar Antônio debaixo de meu carro, nos levou para um Pronto Socorro. Eu tive escoriações múltiplas causadas por esmagamento, Tica quebrou ou dois tornozelos causados por impacto, além de algumas dezenas de pequenos cortes e Antonio quebrou as duas pernas.

Meia noite em ponto, estávamos os três na enfermaria, remendados e costurados, brindando a chegada de um novo ano com um delicioso soro fisiológico. Um réveillon decididamente inesquecível...


Escrito por Helio Faria Junior

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

NOMENCLATURA DAS UTILIDADES



Tem certos nomes em coisas que a gente usa no dia a dia que são difíceis de entender as razões das nomenclaturas de quem as inventou. Um exemplo clássico é da chama de fogão que costuma vir classificada como BAIXA, MÉDIA e ALTA. Mas para a gente que acende fogão com isqueiro sabe que as classificações de chamas deveriam ser ME ENGANA QUE EU GOSTO, ME ENGANA QUE EU GOSTO PLUS E SAPECA PELINHO. Não tem uma vez que eu acenda um fogão na chama alta que não queime todos os pelos dos dedos e das mãos e acender nas outras duas dá um trabalho enorme. Você também já teve essa experiência?

Outra complicação é do botão do limpador de para-brisas dos carros mais modernos. O do meu carro deve ter umas sete ou oito posições que ainda não consigo perceber a utilidade de cada uma dessas posições,até porque as utilidades mudam de acordo com a velocidade do carro. Então, fico pensando se não era melhor ter três posições que poderíamos chamar de DESLIGADO, CHUVA DE MOLHAR OTÁRIO e TÔ DOIDÃO. Concorda?

O botão interno de temperatura das geladeiras é uma das coisas mais indecifráveis que eu já vi. Alguém pode me descrever a diferença que existe entre as posições 4 e 7 do botão. Não era melhor ter só três posições que poderiam ser chamadas de FRESQUINHO, FRESQUINHO FRESQUINHO e ALASCA. Você não acha que seria mais compatível com a realidade?

Uma das mais ridículas que eu conheço é a do chuveiro elétrico que normalmente vem com três posições chamadas FRIA, VERÃO e INVERNO. Na verdade são nomenclaturas para inglês ver porque na realidade deveriam se chamar de FRIA, FRIA TAMBÉM BOBÃO e PURURUCA ou então GELADO, GELADO COVER e FILIAL DO INFERNO.


Escrito por Helio Faria Junior

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

TRABALHANDO COM A CANHOTA



Eu não fazia ideia de quão inoperante é o lado esquerdo de meu corpo, até fazer uma cirurgia no ombro direito e ter que ficar com o braço por 42 dias em uma tipoia, totalmente inerte. Eu não podia fazer nada com o braço porque podia danificar a cirurgia e ter que voltar para a mesa de operação.

O suplício começa quando você abre os olhos de manhã e quer se levantar.Parece que você é o HOMEM-BOLA e tem que dar vários impulsos até conseguir sentar na cama. O segundo suplício é escovar os dentes. Se você não consegue me entender, se levante e vá ao banheiro escovar seus dentes e depois seus cabelos com a mão esquerda.

Se isso que escrevi já é difícil, tem coisas que são inimagináveis. Por exemplo ao tirar uma bermuda, abrir e fechar o botão e abrir e fechar o zíper. Dá vontade de invocar o HE-MAN porque a sensação que você tem é que não vai conseguir. Não acredita? Então tente...

Fazer as necessidades básicas então são momentos de agonia em nosso dia a dia. E a gente estufa o peito, com o espírito de “EU NÃO PRECISO DE NINGUÉM” , mas devo confessar que os olhos enchem de água toda vez que sentimos vontade de fazer xixi.

Eu poderia escrever aqui uma enciclopédia com as dificuldades de um destro operar com a canhota. Tudo é difícil, se barbear é difícil, usar o controle da TV é difícil, usar o celular é difícil, comer é difícil e para não ficar mais constrangedor, você tem que pedir que sejam feitas comidas que não necessitem ser cortadas porque senão você vai precisar de alguém para ajudar.

Se você tentou fazer pelo menos algumas das coisas que eu descrevi aqui, deve estar bem ciente da importância de proteger o lado bom de seu corpo, porque o outro é realmente uma tragédia. Se não, tente fazer alguma coisa simples como abrir uma garrafa sem usar sua mão boa.

Se você puser sua imaginação para funcionar, vai descobrir centenas ou milhares de coisas que são extremamente difíceis de se fazer com a canhota.

Espero que você tenha rido e gostado muito deste texto, porque não foi nada fácil ficar no notebook catando milho com a canhota só para fazer um texto para diverti-lo.


Escrito por Helio Faria Junior

terça-feira, 25 de novembro de 2014

É CLARO, É LÓGICO, É OBVIO.

Eu conheço muita gente que diz essas três palavras diariamente e não se dão conta de que quando se reponde a uma pergunta ou quando se coloca essas palavras no meio a uma observação, em regra, estamos cometendo uma baita grosseria com o que está oculto. Vejamos.
Você está conversando com um amigo e pergunta a ele por exemplo:
- Você vai à festa hoje?
Sem querer lhe ofender, inocentemente ele responde:
- Claro!
Na verdade, o que ele respondeu, sem explicitar, foi:
- Claro sua anta. Só um brocoió como você não iria a essa festa...
Ninguém fica zangado porque nem quem falou nem quem ouviu, se deram conta da grosseria, mas se fosse tão claro assim, a pessoa não perguntava, certo?
Outra peça clássica nessa linha é o “é lógico”, “é lógico que sim” e “é lógico que não”  que também carregam uma carga muito grande de grosseria, como neste exemplo:
- Você vai estudar para a prova hoje?
E a resposta é:
- É lógico que sim.
Mas a resposta traz implícito, o resto do pensamento:
- É lógico que sim, a não ser que eu quisesse colar na prova ou crescer puxando carroça que nem você...
Agora, para acabar mesmo é o “é óbvio”. Chega a ser humilhante, ainda mais quando quem fala vira os olhinhos para cima, senão vejamos:
Você vai viajar nas férias?
A observação cruel é:
- É óbvio...
Mas, de verdade, ela quer dizer:
Óbvio, sua besta. O jumento aqui é só você. Trabalho o ano inteiro feito um camelo para que?
Então, meus amigos, entendo que a gente devia ser mais explícito nas respostas ou evitar de usar essas palavrinhas. O que você acha???

Escrito por Helio Faria Junior

sábado, 22 de novembro de 2014

OS HERÓIS DA RESISTÊNCIA


Cheguei à conclusão que nós, os nascidos na década de 50, somos os heróis da resistência da subsistência da humanidade por termos resistido a tudo e a todos e mesmo com o mundo que nos deram, conseguimos produzir os filhos que comandam o mundo hoje e os netos que breve estarão no comando.

Em nossa época foi o final de “não coma esse pedaço de frango que é do seu pai” e quando nos casamos e começamos a comprar nossos próprios frangos, nossas mulheres diziam que “não era para comer aquele pedaço de frango porque era o pedaço que o Júnior adorava”.

Ou seja, nunca pudemos comer o pedaço de frango que a gente queria e sobrevivemos, comendo fora de casa, sozinho, oito pedaços que mais gostávamos no frango uma vez por ano...

Para dormir, nossas mães cantavam “boi, boi, boi, boi da cara preta, pega esse menino que tem medo de careta...” e agente dormia de medo do infeliz do boi chegar e ninguém ficou traumatizado nem com boifobia. Hoje as mães cantam “ um dia uma criança me parou, olhou-me nos meus olhos a sorrir... “ e os adolescentes crescem precisando de análises e bons psiquiatras para os acompanharem por décadas.

No Natal, ficávamos encantados com a arrumação da casa com aquela imensa árvore cheia de pisca-pisca, com presentes na base, ao lado de um enorme presépio e ninguém ousava tocar em nada e era nossa mãe que pegava os presentes um a um e os distribuía.

Hoje, quando a meninada vai para uma ceia de Natal e não para uma balada, já chega detonando a mesa de quitutes e abrindo os presentes para poder “vazar” logo e a gente, até com certa melancolia, lembra da poesia da época:

“ HOJE É NATAL, FELIZ O PEDRINHO,
 GANHOU UMA TORTA, METEU O DEDINHO,
QUE FEIO PEDRINHO!
EM VEZ DE UM MENINO PARECE UM PORQUINHO...”

E nem de porquinhos podemos chamar essa turminha porque a lei não permite e pode nos causar grandes complicações...Que ironia...


Escrito por Helio Faria Junior

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

UM ROLA E RALA COM MINHA TICA


No fim de semana passado estávamos só eu e minha esposa Tica na chácara. Na sexta-feira tomamos um bom vinho à noite, comemos um fondue de queijo e tivemos uma noite dos sonhos. Sei lá a que horas fomos dormir.
Na chácara temos uma piscina de pedras e cinquenta metros abaixo, indo por uma trilha larga feita de cascalho pedregoso, há uma represa onde o pessoal local diz ter uma sucuri muito grande. Apesar de jamais ter sido fotografada ou ter sumido alguma criação das chácaras do entorno, Tica tem pavor da represa porque diz que lá tem uma cobra. Apesar de muito religiosa, acho que ela prefere ver o cão chupando manga do que chegar perto da represa.
No sábado, Tica acordou eufórica e me chamou para dar um mergulho na piscina. Vestiu um biquine minúsculo, eu vesti uma bermuda e saímos correndo em direção à piscina como dois adolescentes.
Chegando lá, ela resolveu dar uma volta correndo na piscina só que ao tentar fazer a primeira curva, escorregou, caiu e saiu rolando pela estradinha de cascalho. Tudo que eu pude fazer foi correr atrás, mas como ela estava muito rápida, só parou quando caiu dentro da represa.
Tive a impressão que ela sequer afundou. Do jeito que ela bateu na água, levantou-se como um gato e com medo da sucuri voltou correndo trilha acima. Tica ralou tudo, da testa à ponta do dedão do pé.
Foi engraçado porque eu ia correndo trilha abaixo para acudi-la e ela veio correndo trilha acima, e instantes antes de cruzar comigo gritou, babando de ódio:
- Se rir eu mato você...
Passou direto e reto por mim e sem pensar pulou dentro da piscina para tirar toda a terra que estava em seu corpo, só não se deu conta que estava toda ralada e na água da piscina havia muitos produtos de limpeza.
Eu parei e comecei a correr atrás dela. Claro que ri muito, mas bem baixo para preservar minha integridade física. Tica tirou a cabeça da água gritando muito porque seu corpo ardia inteiro e eu assustei, achei que ela estava se afogando. Corri na velocidade que pude e sem pestanejar mergulhei em direção a ela, a abracei e a levantei, e ela então gritou:
- Me solta que seu abraço está fazendo arder mais ainda os meus ralados...
Tivemos que ficar a semana toda na chácara para que os ralados de Tica melhorassem. Todas as noites ela dormiu pelada, sentada à mesa da cozinha só com o queixo apoiado e toda besuntada de mertiolate e hipogloss.
Eu, marido dedicado que sou, fiquei todo o tempo a seu lado, tanto de dia quanto à noite quando eu dormia em um edredom, embaixo da mesa e ela apoiava os pés em mim. A única coisa diferente que usei foi uma máscara que os médicos usam nas operações. Para a Tica eu disse que era para não infeccionar as feridas dela, mas na verdade era para que ela não me visse rindo porque toda vez que eu a olhava pelada e toda ralada me lembrava da cena dela rolando morro abaixo em direção à sucuri...
Escrito por Helio Faria Junior